Coluna do Rodrigo Killmister




Quem nunca criou uma lista de desejos para cumprir antes de morrer? Quem nunca saltou de para-quedas, ou dirigiu um carro de corrida, ou fez uma tatuagem, ou beijou a garota mais bonita do mundo, ou vislumbrou uma coisa grandiosa, ou ajudou um completo estranho com bondade?


Pois é, essa proposta de "Antes de Partir", de Robb Reiner, com as excelentes atuações de Morgan Freeman e Jack Nicholson. Um filme, ao mesmo tempo engraçado e dramático, para refletir sobre o que é viver um dia após o outro, apesar da doença maldita que afeta várias pessoas próximas a nós.


Freeman é Carter Chambers, um mecânico que sofre de câncer e é internado em um hospital. Lá, ele conhece o empresário Edward Cole (Nicholson), que é dono do mesmo hospital em que está internado. Carter resolve fazer uma lista de desejos para realizar antes de morrer. É a partir daí que Cole tem uma ideia absurda: realizar com Carter todos os desejos impossíveis.

No filme, vemos coisas engraçadas, como, o Cole tenta disparar uma espingarda contra um leão, em que Carter fica apavorado quando salta de para-quedas, mas, ao mesmo tempo, tem frases para refletir, como "encontre a alegria na sua vida".


A parte mais emocionante é a cena final em que Carter envia uma carta a Cole para continuar o plano da lista. Na dublagem espetacular de Márcio Seixas, ele emociona até o mais cálido coração.

Antes de Partir não é indicado para maiores de 60. Difícil eles aguentarem...







Inspirado na história de Arlindo Barreto, que interpretou o Bozo, "Bingo - O Rei das Manhãs" é um deleite para os nostálgicos anos 80, numa época em que o politicamente correto ainda não existia.


Vladimir Brichta interpreta o ator Augusto Mendes, que fazia pornochanchadas pro cinema. Até que, um dia, ele tenta uma vaga em uma novela da TV Mundial (uma cópia da Globo). Desacreditado, ele quase desiste, quando aparece uma oportunidade que pode mudar sua vida: ele consegue uma vaga para virar o palhaço Bingo, com o programa da TVP (outra cópia, mas do SBT).


Com seu jeito sarcástico e cheio de piadas prontas, Augusto, ou melhor, Bingo, faz do seu programa um sucesso, mesmo com os desaforos de sua diretora Lúcia, interpretada por Leandra Leal. Fenômeno de audiência, Augusto é só alegria. O que não pode dizer o mesmo com relação ao seu filho Gabriel (Cauã Martins).


As drogas, bebedeira, sexo e muita palhaçada podem cobrar um preço alto: será que o Augusto aguenta tanta exposição do Bingo, mesmo ele não revelando sua identidade?


Destaques para as participações de Ana Lúcia Torre, interpretando a mãe do Augusto; Pedro Bial, com o seu papel diretor da TV Mundial; e Domingos Montagner (em seu último papel), que faz o palhaço Aparício; e da Emanuelle Araújo, encarnando a icônica Gretchen.


Bingo - O Rei das Manhãs se tornou um sucesso do cinema brasileiro, inclusive foi quase indicado ao Oscar. Mas o fato é que o filme tem sua magia de retornar aos lendários tempos que não voltam nunca mais.






Um ítem de coleção para quem aprecia um bom Rock And Roll


Perguntaram para o Lemmy: "Se a sua vida fosse um filme, qual seria o final?" Ele respondeu: "Eu dando tchau no topo de uma montanha, com os dizeres 'Enganei vocês, seus trouxas!'. O líder do Motörhead poderia ser um coadjuvante do Monty Python, ou sua história seria uma continuação do Spinal Tap, mas não é o caso de "49% Motherfucker, 51% Son Of A Bitch", o documentário mais bem feito dessa lenda do Rock ´N Roll.

Todos sabem que Lemmy sempre foi a alma do Motörhead, mas o que ninguém sabe mesmo é como ele viveu fora dos holofotes. Quem imaginou ele em uma mansão cara, cheia de frescuras que só os rockstars sabem ter, saiba que o senhor de 65 anos mora em um apê alugado, em LA, e não sai com seguranças, nem com carros importados. Nesse documentário, Lemmy mostra a cara e as perebas o que ele realmente é: somente Lemmy Kilmister, o cara tímido, que quase não fala muito, mas quando ele empunha seu baixo Rickenbacker, seu microfone no canto da boca, aquelas roupas tipo cowboy motoqueiro, aí é que a história muda de figura.

Vários artistas rasgam seda pra falar desse ícone, como Alice Cooper, Ozzy, Slash, Kat Von D, Dee Snider, Billy Bob Thorton, Triple H, Dave Grohl, até mesmo os caras do Metallica, que o tiraram de LA para tocar Damage Case. Fantástico! Lemmy também dá sua canja no projeto HeadCat, um Rockabilly mais pesado. Até mesmo o filho dele, Paul Inder, aparece na bagunça.

Lemmy possui uma coleção com o que existe de mais impossível de se conseguir: armas, acessórios, cartazes, tanques de guerra, canhões, até mesmo acessórios nazistas. E mais, ele chegou até mesmo a dirigir um tanque de verdade.

Mas o mais interessante é que ele viu os Beatles em início de carreira, foi roadie do Jimi Hendrix (isso todos já sabemos!), foi expulso do Hawkwind ( sua primeira banda) por abuso de drogas...

Dave Grohl tinha razão. Foda-se Keith Richards, enquanto os rockstars estão cada vez mais imbecis e com seus jatinhos particulares, Lemmy anda por aí, bebendo sua Jack com Coca e grava seu próximo disco do Motörhead.

Descanse em paz, Lemmy!








LIVE ARMAGEDDON




O Krisiun é o orgulho do Metal Brazuka. Seus shows são insanos, brutais e performáticos, do início ao fim. Formado pelos irmãos gaúchos Alex Camargo (baixo e vocal), Moysés (guitarra) e Max Kolesne (bateria), a banda inovou o som extremo, numa época em que a cena do Death Metal americano deu uma reviravolta, enquanto o Black Metal era mais para terrorismo do que música. Mesmo com as modas musicais que invadiram o cenário musical dos anos 90, o Krisiun manteve sua postura e lançou álbuns destruidores, como Black Force Domain (1995), Apocalyptic Revelations (1997), Conquerous of Armageddon (2000), Ageless Venomous (2002) e Works Of Carnage (2003).


Para divulgar esse último, os irmãos foram para a Polônia para gravar seu primeiro registro ao vivo. Live Armageddon reúne três vídeos para quem quer saber como o Krisiun é extremo ao quadrado. O show na Polônia é de ótima qualidade, com direito a closes dos integrantes.

Outro show foi gravado em São Paulo, num evento que reuniu Korzus e Ratos De Porão. Dedicado aos fãs, o Krisiun transformou o local em uma Faixa de Gaza. Max destruiu seu kit, como um possuído. Até a cover do Venom, In League With Satan levantou até defuntos mais morimbundos.

A banda também gravou sua apresentação no Wacken Open Air, em 2001. Mesmo com as imagens, de forma amadora, os irmãos agitaram o público alemão.

O DVD contém a sessão de gravação do Works of Carnage, além dos vídeos clips Murderer e Vicious Wrath. Só peca por não ter entrevistas com a banda, mas Live Armageddon é impressionante!








HATEBREED- THE CONCRETE CONFESSIONAL


Que o Hatebreed é uma banda seminal do Metal/Hardcore, todo mundo já sabe.

Mas o que poucos sabem é que a locomotiva da banda não parou. E realizaram, junto com o produtor Zeuss, o The Concrete Confessional.

O que se ouve aqui é puro creme do Hardcore brutal responsa.

Jamey Jasta grita como um gorila. Seus vocais estão mais afiados.

A banda toda colabora com um som cristalino. Sem falar da produção, que está nos trinques.

Não dá para destacar uma só faixa, todas são cheias de ódio americano, recheado de mensagens positivas de auto-determinação.

Seria o Hatebreed o Pantera do novo milênio?






SEPULTURA- MACHINE MESSIAH

Nunca uma banda foi tão desafiadora como o Sepultura. A banda, mais uma vez, resolveu acrescentar novos elementos em seu som.

Produzido por Jens Bogren, o disco Machine Messiah tem tudo para ser sempre lembrado como um álbum histórico da longeva carreira do grupo mineiro.

Derrick Green inovou ao incorporar os vocais limpos com os guturais. A faixa-título mostra realmente isso.

I Am the Enemy é Thrash Metal na sua essência. Mas são nas outras faixas que a banda resolveu investir.

Instrumentos de sopro e violinos são incorporados no peso e na atitude. Phantom Self que o diga.

De longe, um trabalho digno do Sepultura, desde o Dante XXI (2006).

Andreas Kisser comanda a bronca com sua guitarra. Já Eloy Casagrande espanca com vontade. Eloy dá uma verdadeira aula de como tocar bateria. É de deixar de queixo caído figuras carimbadas como Dave Lombardo, que não poupou elogios em recente entrevista ao batera brasileiro.

Um trampo de vanguarda na história do Sepultura.











NATURAL BORN KILLERS


Um filme para ficar cravado na sua memória. Se fosse lançado atualmente, nenhum estúdio gostaria de divulgá-lo, devido a tudo que foi filmado.


Oliver Stone consagrou-se ao realizar esse caleidoscópio de violência extrema e gratuita, cuja história foi escrita pelo mestre Quentin Tarantino. Tem fã que gostaria que o 1º roteiro fosse escrito por ele, que é muito melhor que o do Stone. Sendo assim, foi lançado um livro com primeiro roteiro, sob a batuta deTarantino.


Esqueça os filmes que Stone ficou famoso (mesmo ele ter conquistado três Oscars com Platoon, Expresso para a Meia-noite e Nascido em 4 de Julho), pois ele deve ter ficado chapado de tanta droga ilícita, no melhor estilo Peckinpah, ao filmar Assassinos Por Natureza.


Woody Harrelson e Juliette Lewis estão impecáveis nessa epopéia, ao darem suas vidas amaldiçoadas para interpretarem Mickey e Mallory Knox. Esse casal herdou de Bonnie & Clyde o desejo de fazer justiça (ou injustiça?), ao rodarem os Estados Unidos com um único objetivo: matar, matar e matar tudo e todos.


Vendo esse filme dá para sacar que nada mudou em nossa cultura, em pleno século XXI. Porém, não podemos culpar Stone por sua crítica à banalização da mídia, ao abordar a violência. Dá pra ver a cara de nóia dos americanos, tratando o casal como popstars, chegando na calçada da fama, para uma premiére. Bando de ovelhas cegas! Aqui no Brasil não é diferente, pois vemos isso todos os dias em programas, como o do Datena e do Marcelo Rezende ( descanse em paz). Sempre glorificando os bandidos e culpando a justiça.


Várias cenas deixam a gente deliciosamente sentado em nossas poltronas, apreciando a história dos dois pombinhos, desde a satírica comédia sobre como se encontraram, até imagens de desenhos animados, em que Mickey corre para salvar a sua amada, até a parte em que eles matam os pais da Mallory. Rodney Dangerfield faz o pai cafajeste dela.



Michael Madsen e Brad Pitt recusaram o papel de viver Mickey, que foi muito bem representado por Woody. Ótima atuação, que deixaria Malcolm McDowell e Jack Nicholson orgulhosos. Já Juliette enterrou aquela menina assustada em Cabo do Medo, para se firmar na sétima arte, como a boca suja e chiliquenta Mallory. Parece a Tetê Espíndola! (risos)


Tom Sizemore é o tira Jack Scargnetti, especialista em psicóticos. Desprezível, sarcástico e nojento. sua maior ambição é trepar a Mallory. Juliette quebrou o nariz de Tom na cena da cela. Tommy Lee Jones mantém seu jeito durão como o tira implacável de O Fugitivo, para dar corpo como o diretor Dwight McClusky, com aquele bigodinho fino, cabelo feito com gel e terninho. Simplesmente insuportável e sem senso de justiça.


MAS... quem rouba a cena mesmo é Wayne Gale, um repórter de TV que aproveita da sede de sangue do casal para conquistar a audiência americana. Ao realizar a entrevista de Mickey na prisão, teve que interromper o Super Bowl! Fala sério, belíssima interpretação de Robert Downey Jr. Com certeza, o melhor papel de sua carreira, antes de se tornar o Homem de Ferro e Sherlock Holmes, anos depois.


São duas de horas de podridão, mais de 50 mortes, 56 dias de filmagens, 150 cenas cortadas ou refeitas, onze meses de edição, orçado em US$ 50 milhões.


Várias imagens fazem menções ao clássico Laranja Mecânica, como a mãe de Mallory, que possui o cabelo azul. O irmãozinho dela (que é filho do diretor) sai do quarto após o massacre, com o olho esquerdo tatuado, em homenagem ao Alex DeLarge. Já a entrevista de Mickey na prisão foi inspirada na famosa e verídica conversa de Charles Manson para uma TV norte-americana.


Teve parlamentar que proibiu a exibição do filme, pela violência explícita, mesmo sem ter visto o filme. Na Irlanda, foi exibido sem divulgação prévia.


Realmente, o épico coberto de sangue, um dos melhores filmes dos anos 90. Juntamente com o magnus opus Pulp Fiction, Assassinos Por Natureza deveria esta na prateleira da seção de comédia. Mesmo que a crítica não dê atenção.






2 comentários:

  1. Putz... faz muito tempo que assisti esse filme. Muito legal sua coluna, me fez lembrar de várias cenas que estavam bem nubladas na minha mente pelos anos haha! Vou rever, pois esse filme é realmente muito bom e vale a pena!

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    1. Fico feliz por isso. Quando vi esse filme, aquilo me socou como um cruzado de esquerda do Mike Tyson. Já Já tem mais resenhas de filmes fodásticos. Fique ligada.

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