quinta-feira, 10 de maio de 2018

O ROCK AND ROLL FOI FEITO PARA INCOMODAR

Tony do Dose 13





A oitava edição do Rock U ocorreu no último sábado dia 5 de maio no TAP(Trip Art Pub). O evento teve em seu cast as bandas Dose 13, Maria Fumaça, Colônia Cratera e Chicari.

Para entrar no recinto, você pagava a entrada e colocava uma pulseira com a simpática moça do caixa chamada Ercília e ainda ganhava um adesivo da banda Colônia Cratera.

O diferencial do evento foi um campeonato bem legal com os videogames: Super Nintendo, Sega Saturn, os jogos clássicos International Superstar Soccer e Mortal Kombat.

Nós tivemos a oportunidade de jogar o Super Nintendo com o game de futebol. Na primeira partida ganhamos de 5 a zero: Holanda 5 x 0 Itália, e na semifinal perdemos com a mesma Holanda para a Alemanha por 3 a zero. Divertidíssimo.



Antes de falar sobre os shows, queremos destacar o Trip Art Pub. Excelente casa de shows e confraternização em Santana. Ótimas cartas de cervejas, importadas e nacionais. Os donos se mostraram alegres em receber mais um grande Rock U.

Uma pena que nesse final de semana do festival, foi o último do pub. Infelizmente, vai embora mais uma casa espetacular de shows que trata bem o público e honra os deuses do rock and roll.

Ouvi um dos donos dizendo que vai fechar e vai morar na Tailândia. Não sei se era uma piada, mas se for verdade, tomara que montem um bar de rock na Ásia e nos convidem para fazer a cobertura ( risos).

Na parte de alimentação, tivemos o belo hambúrguer da Kombi estacionada em frente ao bar, nós comemos o delicioso Jimi Hendrix. O maior, era o Tim Maia, 300 gramas de carne.

Quem abriu os trabalhos foi a banda Colônia Cratera, misturando ficção científica com rock and roll, Afonso Baleeiro, Kadu Mendes e Marcos Miranda levaram o público para uma outra dimensão com o seu som viajandão e talentoso. Fiquem ligados nessa banda, promete.







Maria Fumaça chegou como uma locomotiva desgovernada fazendo um som pesado e pop ao mesmo tempo. O público cantava todas as músicas. Um power trio de responsa. Fizeram o TAP se agitar de uma forma bem maneira, quem passava pelo bar, parava pra ouvir. Os shows foram realizados praticamente ao ar livre, dentro do pub, mas aberto pra quem quisesse ficar para curtir um rock and roll de qualidade.
Tom Smoke (vocal e guitarra), Bruno Ramalho ( baixista) e Marcelo (baterista) tocaram a melhor versão de "Bichos Escrotos" dos Titãs que nós já vimos.







Recomendamos o ep da banda, no momento da feitura do texto, estamos escutando o trabalho da Maria Fumaça.


O Dose 13 foi a penúltima banda a entrar no palco, Tony Rellik- guitarra, Malo Angelotti- voz e guitarra, Renan Renzi- batera e Henrique- voz e baixo resgataram o bom e velho rock and roll dos Rolling Stones e outros gigantes da música para fazer um show inesquecível. Malo estava cantando como um endiabrado rockstar, a banda toda estava muito afiada, mesmo com alguns problemas técnicos e o principal inimigo da noite: OS VIZINHOS!

Sim, é isso mesmo que você leu. Como o pub fica em uma região residencial, a chance de dar merda é grande, ainda mais os shows acontecendo ao ar livre. O Tony já tinha nos avisado que poderia dar confusão, mas era o último dia do pub e o rock and roll não poderia parar.

Estávamos assistindo o show do Dose, quando uma senhora começa a gesticular, não entendemos nada, de repente ela pega o microfone e até agora estamos tentando compreender o que foi que ela disse.
Nós até chegamos a pensar que ela queria cantar com a banda, mas sua cara denunciou o contrário.
Disse que iria chamar a polícia, a polícia até chegou mais tarde. Mas o momento do descontrole da senhora foi impagável.

Ver a cara do Tony e de todos ( foi inusitado), inclusive da mulher do Renan, batera do Dose 13, que não aguentou o disparate da vizinha e começou a quebrar o pau com a vizinha.

Mas o que é o rock and roll se não for para incomodar os vizinhos?

Foi um evento inesquecível, que ainda teve que ser encurtado por causa da linda senhora, porém, ainda teríamos o show do ChicariA garotada botou groove no evento, fizeram todo mundo dançar com suas letras inteligentes.

Dose 13:






Chicari






segunda-feira, 7 de maio de 2018

SCREAM METAL FEST

Válvera em ação

Estivemos no Don Ramon Rock Bar em Guarulhos para conferir o Scream Metal Fest VI.

O evento teve a presença de quatro bandas, Consolidate, diretamente de Campinas, Abysmer, Firegun e Válvera.

O festival começou um pouco tarde do que estava programado, mas mesmo assim, as bandas deram o seu melhor, e fizeram uma grande noite agradando o público presente.

O Don Ramon é uma casa bem bacana para shows. O tema da casa é o Seu Madruga e rock( é claro), com pôsteres de astros da música, e um telão exibindo clássicos do metal-assistimos clipes do Pantera, Cannibal Corpse, Dying FetusExtreme Noise Terror ( pedido do vocalista do FireGun), pra quem gosta de death metal, foi um prato cheio.

Um dos donos do Don Ramon é o Elvis ( nome propício, não?), contando com a ajuda de duas mulheres no bar, e o Mamute da portaria, o serviço de bebidas foi um diferencial, pois os preços estavam bem acessíveis. Quem está acostumado com São Paulo- capital, achou bem satisfatório tanto o preço da entrada, como os valores dos lanches e bebidas.

Na entrada do festival, encontramos três integrantes da banda Eutenia: Diego InhofBruno Ricardi e André Perucci.

Filipe Stress ( baterista que tocou com o Válvera nesse evento) estava acompanhado do seu amigo e guitarrista, Chris Wiesen, eles conversavam com o Caio Schramm da produtora Cronos Entertainment antes dos shows começarem.

A primeira banda a se apresentar, Consolidate, mostrou seu metal com hardcore, bem gritado e barulhento.

https://www.facebook.com/rockconsolidate/

A segunda banda a subir ao palco, Abysmer, é uma banda de speed heavy metal, formada em 2014. A banda estava muito contente por estar tocando ali, transparecia uma juventude incendiada pelo metal. Deu gosto de ver.



Há um tempinho,estava curioso para assistir o FireGun. E não decepcionaram. Estavam tocando em casa, a banda é de Guarulhos. Raimundo Rodriguês ( vocalista), Ricardo Oliveira ( lead guitar), Ivan Santos ( rhythm guitar), Samuel Martins ( baixista) e Yuri Alexander ( baterista) fizeram um excelente show. Ensurdecedor. O vocalista do FireGun grita mais do que um homem a caminho do corredor da morte. Não para de se mexer um minuto, e pula, e balança a cabeleira e sua barba gigantesca. Trajando uma camiseta da banda Surra, tenho a impressão que uma hora ele saiu do palco para vomitar e voltou gritando mais ainda. As guitarras estavam potentes, e a cozinha da banda tava muito coesa. Yuri não está pra brincadeira, espanca o seu kit de batera sem misericórdia. Teve uma hora durante o show que tocaram um trechinho do Gojira, para a nossa alegria.

Uma das partes mais legais do show foi quando executaram esse som aqui:



A última banda da noite, Válvera, está continuando o seu caminho de destruição por onde passa com a turnê do segundo álbum "Back To Hell". O relógio marcava 4: 30 da manhã, mas o quarteto formado por Gláuber Barreto- guitarra e voz, Rodrigo Torres- guitarra, Jesiel Lagoin- baixista e Filipe Stress- bateria, fez voltar quem já estava pensando em ir pra casa. Um senhor que estava assistindo todos os shows, só levantou e foi curtir com a galera, quando o Válvera começou a tocar. Foi marcante.








Chegamos em casa bem depois do amanhecer, com um sol enorme na cara e a frase que sempre fica é: estamos na luta até o fim pelo underground!

quarta-feira, 2 de maio de 2018

TORTURE SQUAD, EXTERMINADOR DO FUTURO E BRUCE LEE

ENTREVISTA COM O TORTURE!

Qual a sensação de estar no estúdio de uma das maiores bandas de metal desse país e do mundo? A Pedrock Press até agora está tentando entender o que foi essa experiência...

O Torture Squad está na estrada há 25 anos- comemorando esse ano, é uma banda que passou por quase todas as fases do nosso metal nacional. Tenho comigo que, o músico brasileiro precisa se esforçar 10 mil vezes mais do que um americano, europeu, e na maior parte das vezes, ele é melhor. As bandas de metal do Brasil são respeitadas em outros países, porque o público sabe, que se é do Brasil, tem qualidade. Isso foram anos, anos e anos de um intenso trabalho de bandas pioneiras como Sepultura, Vulcano,Sarcófago, Korzus, Krisiun, Ratos de Porão e Torture Squad. Poderia citar várias outras, mas vamos ficar só nessas que possuem fãs no mundo todo.

O Torture após passar por algumas formações, parece ter encontrado o seu line-up ideal, onde todos estão lutando em prol da banda, todos estão indo na mesma direção ( porque como muita gente diz, a parte mais fácil é tocar, o mais complicado em estar numa banda é todo o resto), a banda está com uma química absurda, literalmente estão "comendo" os instrumentos.

A Pedrock Press teve a honra de conhecer o QG dos caras, e ficar impressionado com tudo.


A dedicação da banda em respeitar o fã de metal, de ter a consciência que para uma banda durar tanto tempo assim, você precisa se organizar e viver em função da música 24 horas.
O estúdio da banda é onde o Amilcar Christófaro, sua mãe e seu cachorro Papito ( uma figuraça) moram. Fiquei maravilhado.
Amilcar é um dos bateras mais aclamados do heavy metal. E ver toda a sua empolgação ainda em falar sobre a sua banda foi especial.
Quando a Pedrock Press chegou, seu braço direito, Castor, estupendo baixista, há anos na banda, desde o começo do Torture, já estava por lá, junto com a Mayara Puertas. May Undead como é conhecida, é uma cantora que tem um carisma impressionante, além de ter uma técnica fenomenal.
Rene Simionato, guitarrista genial, foi o último chegar, mas me identifiquei logo de cara com a sua personalidade. Gente boa pra caramba.


Alexandre Rossi Carneiro( historiador e biógrafo da banda), Amilcar e a Elza- mãe do grande baterista.

A Pedrock Press entrevistou a banda, é o que vocês vão ler a seguir, espero que vocês curtam com a mesma intensidade que eu tive ao fazer a entrevista.

Após a entrevista, presenciei o ensaio do Torture Squad, e posso falar que foi uma das melhores experiências( e sensações) da minha vida. A sensação de estar ali com uma das maiores bandas de metal ,assistindo ao vivo, [ensaio é melhor que show ( essa frase é minha, risos)].
 No ensaio parece que a banda está fazendo um show só pra você. Um grande privilégio. E ainda em primeira mão ouvi a nova música, é uma pedrada sem tamanho, com certeza os fãs vão pirar, assim como eu pirei ao escutá-la.

Obrigado, Torture!





Pedrock Press: Vocês acabaram de voltar de uma turnê pela América do Sul. Como foi o saldo dessa turnê?

Torture Squad: Amílcar: Foi muito bom. Assim como nas primeiras duas turnês, essa foi a terceira, sempre é gratificante ver que temos fãs da nossa música nos países da América Latina. Mesmo que tenha alguns países que a gente não tenha o disco lançado, mas você vê que a música da banda chega até eles, os fãs vão nos shows, dão esse suporte pra gente passar pelos países e fazer uma turnê pela América Latina. Foi bem legal.

Pedrock Press: Vocês tiveram uns pequenos problemas no Equador...

Amílcar: Sobre o Equador, foi o seguinte: a gente ficou preso na Colômbia, o presidente decretou uma lei que fecharia as fronteiras três dias antes da eleição, a eleição seria no domingo, então nós fizemos o último show na Colômbia na quinta. Sexta, sábado e domingo teríamos os shows no Equador, e nós não conseguimos sair do país. E acabamos perdendo os 3 shows no Equador. A gente acha que é o poder que se dá uma pessoa e a pessoa não sabe o que fazer com esse poder. Fechar as fronteiras pra estrangeiro. Estrangeiro não tem nada a ver com a eleição. Eu acho que isso pega muito mal pro próprio país.

Mayara: É falta de organização, na verdade, eles tão passando por um momento delicado lá, a Venezuela tá tendo uma migração para outros países, então tinha cerca de 10 mil venezuelanos querendo entrar no país, é compreensível, talvez se o presidente não fizesse isso, talvez prejudicasse a eleição do país colombiano, mas tinha um grupo de 40 estrangeiros ( que não tinham nada a ver com isso) ali no meio de 10 mil venezuelanos, se tivesse um pouco mais de organização, poderia não ter criado um transtorno tão grande.

Amílcar: Eu acho que pra sair do país não deveria ter problema. O sair da Colômbia que foi difícil de entender, eu não entendi o porquê que o presidente não deixava os estrangeiros saírem da Colômbia. Acho que o entrar por causa dos venezuelanos é até compreensível, deveriam pensar em uma coisa melhor pra se fazer, agora o sair que foi estranho. Mas ele fecha pra todo mundo porque ele vai forçar os estrangeiros a gastar mais no país. E foi o que aconteceu. Nós tivemos que ficar mais três dias com hospedagem, comendo... essa foi a primeira perda dos 3 shows do Equador. No final da turnê perdemos três shows no Chile também, por um erro de logística do produtor de Santa La Cruz de La Sierra da Bolívia,e infelizmente perdemos as datas do Chile. Porém, o resultado final mesmo com essas perdas, como em toda turnê, sempre cai uma data aqui, outra ali, de 5 países, fizemos 4, de 26 shows, fizemos 20, então o resultado final continua sendo bem positivo.

Pedrock Press: Os fãs entenderam...

Amílcar: Entenderam... entenderam... a gente tava até dando risada ontem lembrando, que por conta dessa história de a gente não ir para o Chile, por causa de um erro de um produtor boliviano, pelos comentários dos fãs... porque a gente soltou uma nota, o promotor de Santa La Cruz soltou uma nota também, a agência que marcou os shows soltou uma nota, e aí nos comentários nas redes sociais, a gente percebeu que tem uma pequena treta entre Bolívia e Chile... aí começou uma teoria da conspiração... os chinelos falando: esses bolivianos fizeram de propósito, não deixaram vocês entrarem no Chile( risos), mas a verdade que só não fomos pro Chile por um erro de logística do promotor de Santa La Cruz de la Sierra.

Castor: Ele tinha feito tudo certo até então, mas no dia da volta para o Chile, chegamos no aeroporto, um erro de logística sobre as passagens, aí esse erro foi fatal. E não conseguimos entrar no Chile.

Amílcar: Mas no final das contas, foi o que eu disse, foi um bela turnê. Foi a turnê mais extensa que fizemos na América Latina.

Pedrock Press: E sempre tem aquelas pessoas que dão uma grande força, aparecem de onde vocês menos esperam...

Amílcar: Eu costumo dizer que a cena metal é foda nisso, muito unida mesmo. Se você tá sozinho com a camisa do Lacerated and Carbonized ( eu estava vestido uma camiseta do LAC durante a entrevista), e você tá lá em Zagreb na Croácia, e não tem lugar pra ir, e você bate na porta da casa dum cara com a camiseta do Iron Maiden, "sou brasileiro, curto metal, não tenho pra onde ir"... O cara vai abrir a porta da casa dele...

Castor: Tem um sofá pra mim cair aí ( risos)

Amílcar: Vai deixar você uma semana na casa dele. Isso acontece bastante.

Mayara: Nesses dias que a gente teve que passar na Colômbia forçadamente, a gente não podia sair, o cara que ajudou a gente não era produtor, não era nada. Tinha uma loja de discos, não tinha a obrigação nenhuma de ajudar.

Castor: Ele ficou conosco do primeiro dia ao último... um cara que conhecemos lá, ele sabia o que estávamos passando...

Pedrock Press: Novo disco, nova formação, mesmo essa formação já tendo 3 anos,como tem sido essa experiência pra vocês?

Amílcar: Eu tenho curtido. Eu e o Castor que passamos por todas as fases da banda, com todas as formações da banda. Eu sinto hoje a gente muito unido, muito feliz, todo mundo se dá super bem, eu sinto a banda hoje numa união no sentido de todos saberem de tudo o que está acontecendo com a banda, não só na parte do ensaio, de compor, mas tudo o que envolve a banda. Ontem mesmo, eu e a May ficamos no mínimo umas 6 horas na frente do computador, principalmente ela, fazendo um trabalho para preencher um edital para a gente poder participar de um festival de inverno de Paranapiacaba. Então, esse tipo de coisa extra palco, é muito importante todos estarem na mesma vibe, eu sinto hoje a banda muito forte, muito envolvida, porque o peso não fica só numa pessoa, quatro cabeças pensando, então são mais ideias, as coisas fluem mais, eu sinto isso.

Musicalmente estamos muito bem... a May trazendo as influências dela, o Rene trazendo as influências dele, e a gente não poda, a gente traz as influências deles pra somar nessa espinha dorsal da banda que é o nosso estilo de compor e fazer com que o som do Torture seja o Torture mas tenha o algo a mais, o algo a mais é sempre as novas influências que chegam.

Castor: Com o "Far Beyond Existence" eu sinto bastante isso de compor com as influências de cada um. É muito legal.

Pedrock Press: Mayara, como foi entrar nessa banda lendária e como tem sido?

Mayara: É uma responsabilidade e um aprendizado muito grande. Hoje a gente está com maturidade, que a gente veio conquistando com as turnês, com os shows que a gente fez, convivendo. Eu convivo mais com a banda do que com a minha família. A gente faz muitos planos, conversa muito, como o Amílcar falou, a gente é muito unido, a banda inteira está pensando em planos pra banda, então, realmente, não é só o chegar e tocar, todos da banda trabalham em prol da banda.

Pedrock Press: Amílcar, se você pudesse voltar no tempo, quando você era moleque, que você tinha um sonho de montar uma banda, o que você diria hoje pro Amílcar mais novo?

Amílcar: Caramba... que pergunta legal... Vai na sua... vai na sua... eu sempre coloquei, eu sempre deixei muito latente na minha vida quando eu me envolvo com alguma coisa, eu estou muito apaixonado por aquilo. Me envolvo com muita paixão naquilo. E quando a música e a bateria entraram na minha vida, foi muito forte,e eu segui isso, e por causa disso, dessa vontade forte de acreditar que aquilo era parte da minha vida, era o que eu queria pra minha vida, ser baterista de uma banda de metal. E ter a minha banda, compor a minha música, gravar os discos, é por isso que eu estou aqui dando essa entrevista pra você. É por isso que eu tenho a minha batera, eu tenho os meus patrocinadores, que a banda tem 8 discos. Esse sangue nos olhos, essa vontade que eu sempre tive e tenho. Que eu carrego até hoje. É uma chama que não pode ser apagada. O dia que essa chama apagar...

Rene: Morre...

Amílcar: Isso mesmo, morre. E essa chama está acesa desde lá e o que eu falaria pra mim mesmo lá, e isso aí: segue o que você acredita. Só não deixa o skate de lado ( risos). Eu deixei o skate de lado com medo de machucar. Mas eu montei um skate há uns anos e ando de vez em quando.

Pedrock Press: Se vocês pudessem escolher três álbuns do Torture para as pessoas conhecerem o Torture, quais seriam?

Rene: Isso aí eu posso falar com propriedade. Como fã, não só como membro. A minha sugestão pro cara conhecer a banda vem dos discos antigos, os três primeiros são  maravilhosos, mas se o cara pegar o "The Unholy Speel" e ouvir de cabo a rabo, acho que o cara vai ter um barato bem legal na cabeça. Eu posso falar todos, mas pra mim esse aí, o cara vai ter uma trip legal.




Mayara: Com certeza pra conhecer a fase nova, o "Far Beyond Existence", que é o último álbum que a gente lançou. Os meus favoritos da banda são o "The Unholy Speel", "Pandemonium" e "Hellbound". A trinca.

Amílcar: Eu falo que... eu acho que é o segundo, porque é uma coisa bem particular, o "Asylum of Shadows", porque no Asylum, tem duas músicas que tem naquele disco que a gente decretou, achou uma fórmula de estrutura de música que a gente seguiu dali em diante. As músicas são Mad Illusions


e Murder of  a God, que já existia na época do Shivering, que foi o primeiro disco, chegamos até a gravar numa sessão do primeiro disco, mas aí a batera não tava com uma sonoridade legal, e aí algo, sei lá, uma energia, fez com que essas músicas ainda não fossem gravadas, elas mereciam uma produção melhor. Alguma coisa falou isso pra gente, nós tiramos essas duas do primeiro disco, que acabou ficando com 7 músicas, e aí a Mad Illusions e a Murder Of a God foi para o segundo álbum, que nós gravamos no Mr. Som com a produção do Heros e Pompeu do Korzus. Ali a produção ficou ótima, a sonoridade metal chegou com tudo. Então, é isso, eu diria o "Asylum Of Shadows" por causa disso, o "Hellbound", também gravado no Mr.Som. Eu gosto muito de todos os discos, é difícil falar, mas são esses e o "Far Beyond Existence", que pega três fases da banda.

Castor: Eu escolheria o "Pandemonium", foi uma fase nova pra gente, de mudança, foi a primeira mudança que a gente teve de formação, o Cristiano Fusco saiu e entrou o Maurício Nogueira. Ali também a gente selou bem o estilo da banda. O "Hellbound" que eu acho uma sequência do "Pandemonium", na mesma vibe, e o mais novo, "Far Beyond..." que pega essa nova fase que tá num momento bem inovador da banda.




Fita K7 do primeiro trabalho do Torture.


Pedrock Press: E como tem sido a repercussão do novo álbum?

Mayara: O pessoal já chega cantando o disco... Nosso set list mescla músicas do novo álbum e dos antigos, mas sempre tem aquela que a galera pergunta o porquê não tocaram, do álbum novo! Já tem músicas bem emblemáticas, como "Blood Sacrifice", "Don't Cross My Path", "Cursed By Desiase", o pessoal já chega esperando pelo momento dessas músicas.

Castor: E a produção também, que nós trabalhamos que foi a mesma do ep "Return Of Evil", do Wágner Meirinho e do Tiago Assolini, da Load Factory, eles estavam mais inseridos com o nosso estilo mesmo, com a nossa proposta, a gente trabalhou umas pré-produções antes do álbum,  eles já estavam familiarizados com a banda. Já chegamos praticamente com tudo pronto, com timbres, com ideias, uma coisinha ou outra que mudou na hora da gravação, 99% era já o que tava feito.

Pedrock Press: As participações desse novo disco estão bem especiais, chamativas, Alex do Krisiun cantando ZZ Top... Fernanda Lira ( Nervosa), Edu do Nervochaos...

Amílcar: A gente sempre teve participações especiais nos discos, eu lembro do Fernando do Oligarquia no The Unholy Speel", ele fez o refrão... e eu lembro do Marcão do Claustrofobia no disco "Pandemonium", sempre teve. Sempre quando tem a oportunidade de chamar um amigo pra participar, nós chamamos. E esse disco novo eu me senti muito orgulhoso, porque é muito especial mesmo. O Dave Imgram, ex vocalista do Benediction, Bolt Thrower, faz parte da influência da banda. Tivemos um contato com ele pela gravadora Secret Service, a gravadora que lançou os disco do Torture na Europa, ele já conhecia a banda, pra ele foi um prazer fazer essa participação, ele disse isso pra nós. Participou cantando a música "Hate", fazendo uma dobradinha de voz com a May. O Edu Lane do Nervochaos que é um cara fora de série...

Castor: Um pilar da nossa cena

Amílcar: Um pílar da cena brasileira, e é um grande amigo há muitos anos. O Edu é muito importante na história do Torture. A gente começou a fazer turnês brasileiras. O Edu Lane foi o primeiro que marcou uma turnê brasileira, nós fizemos com o Nervochaos em 2002. "The Unholy Legion Tour", 2002/2003. Foi uma entrada no mundo das tours, sempre foi um querido amigo. Baterista... então ele fez uma narrativa na "Cursed by Desiase". Ficou muito legal.

Mayara: Ele fez como se fosse o guardião da tumba do faraó

Amilcar: Ele tem cara de guardião da tumba do faraó ( risos)

Mayara: Mas ele é mesmo, da Tumba Productions ( risos)

Castor: Tivemos a ideia também de convidar o Louzada, conhecido como Batatinha da baixada Santista, ele participa dividindo as vozes na faixa "You Must Proclaim". Conhecemos ele nos primeiros shows do Torture. Na época que ele era do Chemical Disaster, junto com o Leão, Queixo e Arthur. Hoje ele também faz parte do Vulcano, o nosso Venom! Haha.

Amilcar: O Alex do Krisiun cantando ZZ Top. Krisiun... heróis... a gente divide essa paixão por uma banda que é o ZZ Top. Eu aprendi a amar ZZ Top indo na casa dos irmãos e vendo o quanto eles gostavam, de ir na casa deles e eles estavam lá assistindo ZZ Top. E aí pintou essa ideia de fazer essa versão e o convidamos pra cantar. Eu estava comentando esses dias que eles curtiram muito a versão. O Alex, o Moyses e o Max depois comentaram que curtiram muito a versão. E isso pra mim... Eu não preciso do Hetfield falar que a versão é do caralho, pra mim o ok deles, o Krisiun ter gostado, não devem nada pra ninguém. A gente ficou muito feliz, eles curtindo... eles são headbangers muito verdadeiros, então é um ok da vida, sabe? A gente ficou muito feliz de ter o Alex também cantando, que é um grande amigão da gente.

A Fernanda cantando Coroner, era pra ter saído de uma das versões do disco "Esquadrão de Tortura", essa gravação é da época do "Esquadrão..." e acabou não saindo, ficou na gaveta. E teve essa oportunidade de lançar como bônus do lançamento europeu, e aí fizemos a remixagem e aí foi lançado. Também é muito legal, porque o Coroner também é uma das nossas grandes influências.

Castor: E também tem a participação do Marcello Schevano tocando hammond na "Torture in Progress". Era um arranjo de baixo que eu tinha, o Amilcar também ficava trabalhando no ensaio, é uma música bem diferente, bem progressiva. Tem um vibe anos 70, né,cara?! 

Amilcar: E por essa vibe 70 veio a ideia de então colocar hammond... em homenagem ao John Lord... e hammond mesmo, e ele fez um puta trabalho.

Castor: A gente fez uns ensaios, mostramos a música pra ele, falamos pra ele: a ideia é nesse tempo, faz um solo em cima, e agora desenvolve, ele fez a cara dele.

Amilcar: O Marcelo é um grande músico, grande compositor, grande roqueiro, tem um grande estúdio que é o "Orra Meu", que está gravando todas as bandas hoje. É muito especial as participações do disco novo. Acho que não esquecemos de ninguém (risos)

Castor: Quem tocou baixo no disco? ( risos)

Torture Squad e Pedro Pellegrino


Pedrock Press: Se vocês pudessem convidar algum herói do metal pra participar do disco, quem seria?

Amilcar: Fora esses... eu ainda tenho o meu sonho de ter o Andreas Kisser ( Sepultura).

Mayara: David Vincent (Morbid Angel)

Amilcar: Sei lá, cara... tanta gente... ressuscitar o Cliff Burton ( risos)

Pedrock Press: Vocês tão pensando em gravar um novo clipe para esse novo disco?

Amilcar: Sim, o videoclipe da "Don't Cross My Path" tá pra sair, com imagens gravadas do nosso show aqui em São Paulo, no Fabrique Clube,  na turnê com o Zumbis do Espaço. Vai ser o primeiro videoclipe do disco novo, e aí a gente vai sair na sequência de gravação de mais 2 videoclipes,"No Fate" e "Blood Sacrifice". Nesse ano com certeza sai esses três videoclipes.

Pedrock Press: Falem um pouquinho das letras do novo disco, e como é a forma de compor da banda?

Mayara: Na parte das letras, assim como nos riffs é bem livre, porque a gente não tem essa coisa de "ah, eu sou vocalista, eu só vou compor letra, sou guitarrista só vou compor riff". Se você tem uma ideia que dá pra aproveitar na banda, você traz no ensaio e a gente desenvolve. Eu escrevi três letras nesse álbum, uma tem um cunho... vou explicar, que é a "No Fate", que fala de um dos meus filmes favoritos que é o "Exterminador do Futuro"...

Pedrock Press: Meu também!

Rene: Meu também!

Amilcar: Meu também ( risos)

Mayara: Todos nós aqui. É comum esse gosto. Todo mundo na banda curte bastante filmes, HQ's, etc, tem frases emblemáticas do Exterminador na música, são conselhos da Sarah Conner, como se fossem conselhos da Sarah para o John Connor. E as outras duas músicas tem um cunho mais mitológico, a "Blood Sacrifice" fala da Kali, que é uma deusa mitológica hindu, e ela faz parte do panteão da destruição desse plano em alguns cultos e conhecimento também, e na "Cursed By Disease" fala sobre a maldição do faraó de Tutancâmon, que na verdade era uma doença que era causada pelas pinturas nas paredes da tumba dele, quando ela foi aberta, essa tinta criou um fungo que se a pessoa tinha uma imunidade mais baixa, era letal, então muitas pessoas morreram durante as expedições de exploração desse tumba. Aí a letra trabalha com esses dois lados: como se fosse uma maldição, porém, relata efeitos da própria doença que consumia os pulmões, e a pessoa acabava falecendo. E tem bastante letra do Amilcar também. Não é um álbum conceitual como o "Esquadrão de Tortura", mas você consegue conectá-las.

Amilcar:"Don't Cross My Path", como o próprio nome já diz, 25 anos de banda, podem falar o que quiser, podem fazer o que quiser, mas não atravessa o nosso caminho, independente do que acontecer, nós vamos estar aqui fazendo a nossa música e acreditando no nosso som. E tem uma letra muito especial nesse disco, não é minha, é do Bruce Lee ( risos). São filosofias de vida do Bruce Lee. Eu gosto muito de arte marcial e principalmente do jeito de encarar a vida que o Bruce Lee tinha. Do Jeet Kune Do,que é a arte marcial que ele fundou, que a regra era ter nenhum meio como meio, tendo nenhuma limitação como limitação. Então isso eu vou levar pro caixão, pro meu estudo de batera, pra tudo na minha vida e as filosofias de vida dele, são muito puras, muito verdadeiras. Então a "Hero for The Ages" desse disco, é só filosofia de vida do Bruce Lee. As letras da banda, a gente fala de tudo, dá essa abertura pra todos, falar o que a gente acha, a gente pode meter o pau na política, anti-religião, falar de um herói que é o Bruce Lee.

Castor: You Must Proclaim" que fala da roubalheira que tá no nosso país, da corrupção que está desenfreada.

Amilcar: Que fala pras pessoas não ficarem quietas, tem que denunciar, ir pra cima. É o que achamos.


Castor: Falamos de tudo, desde o lance mitológico até a realidade que nós estamos vivendo. O disco está bem variado.


Pedrock Press: Os planos da banda pra 2018

Amilcar: Nós temos uma turnê na Europa marcada, dia 10 de agosto a 1 de setembro. Nesse período da Europa estamos pensando em ir pela primeira vez pra Rússia. Nós não sabemos se ainda vai ser possível, mas há fortes indícios ( risos), talvez dê. Estamos trabalhando também para se concretizar uma turnê brasileira celebrando os 10 anos do "Hellbound".



Tocar o disco na íntegra. Fazer os shows esporádicos no Brasil. Agosto ou setembro ir pra Europa, tentar fazer a primeira vez na Rússia e tentar entrar no cast de uma outra tour também, de uma outra banda na Europa. Gravar os videoclipes, na volta da Europa fazer essa turnê do "Hellbound", com um show em São Paulo, especial. Tá no nosso radar em gravar um cd e dvd ao vivo da turnê do "Far Beyond", porque a gente tá curtindo muito os shows e eu acho que seria legal gravar um dvd com essa formação. Nós temos o "Death Chaos And Torture Alive" na época do "Pandemonium" em 2004, temos o "Coup' Eta Live" que é do Esquadrão de Tortura, que nós fizemos como trio, então eu acho que seria legal registrar essa nova formação.


Pedrock Press: Como é conciliar família com a banda, outros compromissos, pra vocês como tem sido?

Amilcar: Tem que saber lidar com as agendas. A música, a banda, ela determina a nossa vida. Aí tudo vem ao redor disso. No meu caso as aulas de batera, as idas ao cinema ( risos). As andadas de skate, tudo gira em torno disso. Sou muito pé no chão com a minha vida, tento não dar um passo maior que a perna, financeiramente falando, em relação a tempo, em relação a tudo. Então, eu acho que por isso que a banda está aí com essa longevidade, 25 anos sem parar, ensaiando, compondo, gravando disco, saindo em turnê. Eu acredito que na vida de todos é assim.

Castor: Pra mim o lance de conciliar com a família,eu nunca tive esse problema. Sempre tive o apoio da minha mãe e tal, as pessoas que estão na minha vida também compreendem. A banda sempre foi em primeiro lugar. Desde o primeiro ensaio até hoje, sempre a minha meta foi a banda.

Rene: Pra mim o mesmo também, desde as outras bandas, sempre equilibrando esse lance, as namoradas que eu tive, família, sabem que o meu negócio é música. A música que determina 99% da minha vida.

Mayara:As pessoas que gostam de você, querem ver você bem, fazendo o que você gosta. Não é fácil conciliar família com banda, nós convivemos mais entre nós do que com qualquer outra pessoa que também é importantes na nossa vida. Acaba rolando algumas cobranças: "poxa, você não para em casa, não vai ver sua avó...".

Pedrock Press: Aniversário que nunca vai estar presente

Amilcar: Datas comemorativas é um fato mesmo, eu até os 15 anos eu estava lá, festa de família eu sempre estava, de repente você não está mais. Porque você está muito focado. Aí muda a vida mesmo.

Mayara: Ainda bem que a tecnologia está aí pra ajudar também. Eu estava em turnê e participei de um almoço da família ( risos)

Amilcar: Pegou um macarrãozinho?

Rene: Me passa esse aplicativo aí ( risos)

Mayara: E em certo momento me conectei com eles e pude ver todos os meus parentes. E viram que eu tava em turnê, falei com todos. Você não está ali pessoalmente, mas está de uma outra forma. E quando tem uma oportunidade que a banda está mais tranquila, aí você encontra com todos.

Castor: Faz parte da nossa vida.

Amilcar: É muito legal, você passa dois, três meses em turnê, e quando você volta você reencontra os amigos, toma uma com os amigos, revê família. É uma forma de recarregar. Por isso que ,quando a gente convida os amigos pra ir aos shows, não é tipo pra pagar ingresso pra gente ganhar dinheiro, não é, é porque quando o amigo está num show, a energia é muito legal, a gente se recarrega de ver amigos queridos nos shows. Nisso não só na capital, não só na nossa cidade, porque hoje podemos falar que temos amigos no mundo todo. Por isso que a gente convoca mesmo os amigos nos shows.

Rene: Nessa vibe de turnê, convívio, quando você vai ver passou 3 anos, e parece que foram 6 meses.

Amilcar: É o que acontece com essa formação. Desde quando a May e o Rene entraram até hoje, a gente fez muita coisa. Gravamos o ep, saímos em turnê do ep, gravamos o disco, saímos em turnê do disco , turnê na Europa, turnê brasileira, turnê sul-americana.

Castor: Interior de São Paulo em turnê duas vezes.

Rene: Duas no Brasil inteiro, Europa, América do Sul, fora as mini-tour, fomos pro Rio Amazonas, fizemos Portel, altas luas de mel( risos).

Pedrock Press: Última pergunta: Como vocês estão vendo o cenário do metal nacional?

Amilcar: Eu, particularmente, vejo a cena bem forte. Vejo boas bandas. Vejo a cena forte de público também. Nós não podemos reclamar, porque o Torture Squad tem fãs. Tem fãs da música. E o que nós fazemos é ir até eles. Nós abrimos mão da vida pra ir até eles tocar nossa música. Então, nós temos essa possibilidade, e nisso eu vejo a cena muito forte. Com bandas tocando conosco nas noites, bandas muito boas.

Castor: Organizadores já sabendo o que a banda precisa.

Amilcar: A cena mais evoluída. De estrutura, de cabeça de produtor, com lance de horários.

Castor: Cada ano você vê que está dando um upgrade.

Amilcar: É só tende a melhorar. Eu acho isso ,você ficar ancorado a valores antigos, o Brasil é terceiro mundo, não rola show de semana, nunca vai rolar, as pessoas só chegam meia noite, se ficar com esse papo não vai dar certo.

Castor: Não compram mais cd, é o que dizem, pra nós é uma outra realidade, nas turnês nós vendemos bem cds.

Amilcar: Se você se segura nesses antigos valores, nada vai acontecer com a sua banda. Agora se você quer uma mudança, se você acredita que a Europa já passou por isso, os Estados Unidos também, o Brasil vai ficar estagnado,o Brasil não vai evoluir?Não, né?! A gente tem que fazer. Eu vejo que o Torture é um instrumento dentro da cena que pode fazer isso. E nós estamos fazendo a nossa parte. De evolução da cena.

Pedrock Press:Vocês inovaram tocando de segunda a segunda

Amilcar: Porque a gente acreditou que era possível. Contra tudo e contra todos. Como a gente fala na letra da "Don't Cross My Path". Pegamos uma van, tocamos às segundas e terças, começando as 20:30 pra dar tempo de todo mundo voltar pra casa, pegarem transporte público pra irem trabalhar no outro dia. Quando que nós íamos saber que em Vitória da Conquista na Bahia, duas turnês seguidas que nós tocamos na segunda feira, e é maravilhoso, o show cheio, lotado. Bahia, Alagoas, Sergipe, Aracaju, Recife, Maceió. Uma semana: segunda, terça quarta, quinta e sexta. E todos os shows foda. A gente só pode viver pela nossa atitude de acreditar que é possível. Então, eu vejo que tem uma parcela que não acredita, que só reclama. Que vive reclamando. Então, você vive reclamando aí, que nós vamos fazer o nosso. E fazendo o nosso, não é só o nosso, nós estamos ajudando toda uma cena. O promotor que fez uma terça nossa à noite, ele vai levar público até daquele cara que está reclamando lá, porque a gente fez o produtor acreditar que é possível.

Castor: Teve cidades que os produtores não acreditavam com a quantidade de gente nos shows

Rene: Ficaram surpresos

Castor: Não sabiam que existia uma cena forte na própria cidade. "Eu não sabia que segunda, terça, quarta feira, tinha essa galera chegando nesse horário e pagando esse valor". Os promotores diziam.
Eles achavam que só sábado e olhe lá, que poderia dar esse público.

Amilcar: Então, envolve muita coisa. Nós estamos muito felizes com toda a conquista. São conquistas mesmo. E a gente celebra muito isso. E daqui pra frente só tende a melhorar. Hoje no Brasil tem muitas agências de shows. De dois, três anos pra cá isso. Se você nunca acreditar que nunca teria, você vai ficar estagnado. A palavra estagnação é uma palavra que não existe no dicionário do Torture. Não existe mesmo.

Mayara: E você também não tem que esperar que as pessoas façam algo, você tem que ir atrás e fazer. Eu sou de Santo André, e recentemente eu fiquei muito feliz de ver a união da galera lá, dessa região do ABC.Eles montaram um coletivo, e eles estão levando propostas culturais até os governantes dos municípios para fazer eventos voltados pro rock. E em decorrência disso está tendo muitas palestras gratuitas que estão informando as bandas de como começar um trabalho. Porque muitas bandas começam, não sabem nem pra onde ir. "Poxa, lancei um disco, o que eu vou fazer agora? Como eu posso conseguir tocar, lançar, distribuir meu disco?". E eles se uniram pra isso, para profissionalizar, orientar as bandas novas e antigas também, porque muita gente não sabe como trabalhar. E bater na porta dos políticos e falar assim: o povo tem direito à cultura, e o pessoal do rock tá unido pra isso. Isso tá sendo muito legal. Esse edital que nós comentamos que estamos querendo participar desse festival de Paranapiacaba, é fruto disso, é o trabalho desse pessoal, desse coletivo, dessa região. E em São Paulo também, nós tivemos o Rock na Praça, que foi uma batalha do Ravelli, querendo colocar uma data no calendário de São Paulo reservado ao rock, isso dá uma magnitude muito grande.

Amilcar: E abrangendo o Brasil, ela falou de Santo André, São Paulo,e eu posso falar aqui do último show que a gente fez em Belo Horizonte. Idealização de um promotor particular de shows de metal em BH.

Mayara: Bloco dos Camisas Pretas. Que é o dono do Stonehenge. Um bar muito legal em Belo Horizonte.

Amilcar: Montou uma estrutura em uma das avenidas principais de BH. Dois palcos. Mais de 10 mil pessoas no evento. Cachorro Grande, nós, o Hatefulmurder, o Tuatha de Danann. Só bandas da década de 90 pra cá. Não tinha nenhum medalhão do metal nacional, tipo Sepultura, Ratos de Porão, Angra, Krisiun. Só bandas que tem um trabalho sério. Então, sobre a cena brasileira, eu vejo muita evolução.

Mayara: Na turnê da América do Sul, nós participamos de um evento no Peru,na cidade de Piura, que foi idealizada por um banger também, o Rafo, ele se juntou com a prefeitura local e fizeram o primeiro evento com o apoio da prefeitura. E juntou muita gente também. Recebemos um certificado de agradecimento da prefeitura por a gente ter participado. E nos levaram pra conhecer museu, ter o contato com a cultura deles, comemos um ceviche da hora.

Amilcar: Muito carinhosos, sabe? Fizeram uma homenagem para o Torture, subiram no palco para homenagear a banda, foi demais!






























domingo, 29 de abril de 2018

OBSCURO FEST


A segunda edição do Obscuro Fest aconteceu no Centro Cultural Zapata nesse último sábado.

O evento que tem a proposta de trazer bandas de doom/stoner/blackmetal (e muitas outras vertentes do metal) underground, contou com a casa bem cheia, o público compareceu para assistir três grandes shows.

Antes de falar dos shows, quero destacar a organização do evento, realizado por Mariana Ferucio( idealizadora da produtora SubMundo), Claudia Ferucio ( mãe da Mariana), Aline Mazzetti ( tatuadora) e Agnes, fizeram do evento um primor de organização e pontualidade. Os shows começaram na hora, acabou cedo, isso facilita pra quem vai pegar condução. Na parte de alimentação havia umas deliciosas tortas e bolos de chocolate, com preços acessíveis.

Um sorteio de uma tatuagem também foi realizado. Dessa vez a Priscila Nunez não ganhou o sorteio. Parece que em todos os eventos que ela participa, ela é sorteada (risos).
Na porta, além da Priscila, conversamos com o Everton Martins, Mexicano e Iarly Patricio. Todos habitué dos eventos da SubMundo.

A primeira banda a se apresentar, Fallen Idol, realizou um grande show! Fazendo um doom/stoner competentíssimo!






Alguém disse que era uma mistura de Black Sabbath com Iron Maiden, uma definição mais simples( é claro), as influências da banda são diversas, mas podemos destacar o vocalista com o seu grande alcance musical, um power trio de responsa! Na opinião da Pedrock Press, foi a banda da noite.

Rodrigo Sitta- vocalista e guitarrista, Márcio Silva- baixo e Ulisses Campos- batera.
https://www.facebook.com/fallenidoldoom/



A próxima banda foi a Blazing Corpse, fazem um dark/doom/black metal. Foi assustador. O público curtiu bastante. Uma postura teatral da banda que combina muito bem com o estilo.
https://www.facebook.com/blazingcorpse/




A última banda do festival, Crimson Dawn Project (https://www.facebook.com/crimsondawnprojectofficial/ ), tem em seus integrantes todos habilidosos com seus instrumentos, destaque para o baixista Carlos Venâncio, a quem alguns fãs chamavam de Zezé (rs).O grupo faz um excelente metal com vários estilos dentro de seu som. Completam a banda o guitarrista Nilo Neto, no vocal Edson Herrera e na bateria Claudio Screptz. Conversamos com o Claudio, ele nos contou que a banda é de Embu das Artes, estão na estrada desde 2000. Há alguns anos estivemos no "Loucos por Vinil"- um evento que é realizado em Embu das Artes, eu estava trabalhando com a banda Muqueta na Oreia, e o Claudio estava com uma outra banda. Uma grande coincidência.


Fotos: Claudio Higa



As bandas disponibilizaram o seu merchan para quem quisesse comprar. Tudo muito caprichado.
Assistir shows no Zapata é muito legal. Ótima localização. No bar as bebidas estavam na temperatura certa. Pude experimentar a deliciosa caipirinha de limão.

Parabéns para a SubMundo! Foi um belo evento.
Esperamos o próximo.



sexta-feira, 20 de abril de 2018

O METAL RENOVA A ALMA!


Lacerated and Carbonized

Que banda, meus amigos!

Fizeram estremecer o Sesc Belenzinho em seu show no dia 20 de abril.

Fazia 5 anos que a banda não tocava em São Paulo.
Eles são do Rio de Janeiro. Possuem 3 discos lançados. O último é o aclamado "Narcohell". A banda promove uma verdadeira aula de death metal.
Bem tocado, com groove e a metralhadora do blast beat.
O vocalista Jonathan Martins é um trator no palco. Mesmo não estando nos melhores dias, assim disse o próprio ao iniciar o show.



A banda tem uma química impressionante. Caio Mendonça na guitarra, Paulo Doc no baixo e o batera convidado, Sandro Moreira (que já em muitos shows está substituindo o baterista original, Victor Mendonça). Pra quem não tá ligado, o Victor sofreu um grave acidente quando a banda estava fazendo uma turnê pela Bolívia. Boa recuperação!

São 12 anos de banda, por isso o LAC possui bastante fãs que fizeram o belo Sesc Belenzinho quase explodir com o seu som maníaco.

No recinto estavam as meninas da Nervosa( Prika Amaral e Luana Dametto, guitarrista e baterista da banda respectivamente).




A banda Reffugo estava representada por seus dois integrantes, Levi Tavares( batera) e Rodrigo "Malevolent" Cuerva(baixo e vocal).
Ciero, produtor e guitarrista do Oitão também estava por lá.

O casal Maria e André do site "Metal no Papel" faziam suas reportagens no local.

Os Porcos de Porão também circulavam pelo local. Agora, o mais inusitado foi o Papito, sim, ele mesmo, Supla estar balançando a cabeça no show do Lacerated and Carbonized. Figuraça.

Na entrada conversei com o Fabrício- ou era Fabiano, que tinha vindo de muito longe assistir a banda. Tem todos os discos, estava com uma camisa do Krisiun e entendia muito de metal. Pirou com o show.

Foi um dos melhores shows de metal que assisti. Sem dúvida nenhuma. Não vejo a hora de assistir a banda de novo. E ficar boquiaberto mais uma vez com o metal de primeiríssima linha da banda que deu o sangue nessa noite de outono paulista.

Sabe quando você estufa o peito, começa a andar, abre um enorme sorriso e fica mais forte mentalmente, com a autoestima renovada, pronto pra qualquer coisa?

Me senti assim após o show do Lacerated and Carbonized.

Obrigado!







segunda-feira, 26 de março de 2018

"Nós Amamos o Sul do Brasil"


Clint Walker ( guitarrista) , Gabriel Humphreys ( vocalista)  Lukas Natal ( baixista) e seu irmão Stephan Natal (bateria) são o RATM Tributo Brazil!

A jornada pelo Rio Grande do Sul começou em Novo Hamburgo após uma longa maratona de 19 horas na estrada, saímos de São Paulo em uma viagem sem fim ( risos). Na estrada ainda em São Paulo, presenciamos um assalto de um motoqueiro tentando roubar outro motoqueiro, acabamos ligando pra polícia e... não sabemos o que aconteceu...

Fomos apertados no carro, apertado é apelido, o Lukas ficou no meio dos instrumentos, equipo da banda toda, e acabou dando mau jeito na coluna, pulmão ( se é que isso é possível), passou mal de verdade, e após 38 horas acordado, fez o show em NH com muita dignidade e até parou de fumar após 7 anos ( por aí...), isso que é roqueiro!

Antes de chegarmos ao sul, fomos revezando na direção, eu que nunca dirigi tanto na estrada, meu lema era: "Pedro no volante, perigo constante", brincadeiras à parte, foi muito bacana dirigir o carro da banda na minha primeira turnê. Uma satisfação enorme.

Paradas estratégicas nos postos de gasolina, algumas coxinhas- outro lema das turnês, "é só coxinha que comemos" -assim disse o Gordão (batera), alimentação quase saudável, se bem que um integrante da banda comentou: " estou me alimentando melhor na estrada do que em casa...". Então tá, né?! rs

Outro cara da trupe não desgrudava do banheiro, seu intestino não estava preparado para essa turnê.

Na estrada pegamos todas as temperaturas possíveis. Uma névoa que encobria todos os carros, a luz do poste iluminava como se fosse uma lua, numa bela imagem poética. 

Fizemos vários stories para o Instagram durante a viagem, em uma delas, filmei o Gordão dirigindo, parecia um simulador, doideira...

Colocamos o pé na estrada a uma hora da manhã de quinta para sexta, e fomos chegar em Novo Hamburgo às 20 horas.

Conhecemos o lugar onde o RATM Tributo Brazil iria tocar. Sinuca Bar, ou o Rock, como dizem os moradores de lá. Chegamos, nem deu tempo de ir para o hotel, descarregamos o equipamento da banda, conhecemos os donos da casa, a banda passou o som, montamos o merchan da banda e fomos para o hotel deixar as nossas malas e jantar.

O hotel Savoy foi um caso à parte. Pensamos até em montar uma banda grind com esse nome, eu e o Clint faremos história! 

Após comermos uma bela pizza, e um banho tomado, chegou a hora de trabalhar mais.

Como o próprio nome diz, o lugar onde o RATM faria o seu primeiro show é cheio de mesas de sinuca, a galera se diverte enquanto curte um belo som. Os donos ( eram carecas, e pareciam irmãos) estavam contentes por trazer uma banda de São Paulo para a sua casa. Eles gostaram bastante do som do Rage Against The Machine Tributo Brazil.

Fiquei conversando com o dono sobre o futebol gaúcho, ele era gremista e ficou me dizendo que o Palmeiras ( meu time) não iria ganhar nada esse ano. Tudo bem, deixei pra lá ( risos).

Fúria fez um puta show, como não admirar esses caras que depois de 38 horas sem dormir, fizeram um show com a alma e o coração, Gordãosentou o braço no seu kit de batera, Lukas fez seu baixo pulsar como um órgão que regula o funcionamento da banda, Clint encarnou o próprio Tom Morello fazendo o público do Sinuca vibrar com sua performance. O Gabriel também foi um show à parte, após todo o cansaço da estrada, ele soltou toda a sua fúria no palco pulando e balançando o seu cabelo. Foi espetacular! A banda mostrou que não importa o nível de cansaço, após viajar por 4 estados, o que eles querem e o que vai fazer eles felizes é deixar o sangue no palco!

Chegava a hora de puxar um ronco, nós merecíamos descansar! Dormimos bem, e de tardezinha fomos procurar um lugar para almoçar. O dono do restaurante Germany abriu uma exceção, pois o estabelecimento já estava fechado, e fez um maravilhoso bife à cavalo para os famintos paulistas.

Após a alimentação, fomos encontrar o produtor dos próximos dois shows. Diego Salles é um colorado fanático, pai de uma menina bonita, amante do bom e velho rock and roll, já teve algumas bandas, fazia( ou faz) um tributo ao Grunge,e agora está organizando eventos. O próximo concerto do Fúria seria realizado em Bento Gonçalves, uma aprazível cidade, a terra do vinho, que ao adentrar a cidade já avistamos em formato de vinho o painel da cidade.

Fui com o Diego, seu irmão Beco e o amigo deles, Fernando, para Bento, em uma viagem de aproximadamente uma hora e meia ouvindo muito Nirvana e Sepultura, só as minhas bandas prediletas. Foi massa!

Chegamos na casa de shows Ferrovia Live. Um lugar espetacular! O lugar fica entre uma antiga linha férrea, ou ainda funciona- não entendi direito. Vi alguns trens, e uma Maria Fumaça que funciona como um belo passeio para turistas.

O Ferrovia é todo decorado com pôsteres de bandas e filmes, dentro do lugar havia brechó, exposição de desenhos e venda de camisetas, entre outras coisas. 

Algumas bandas tocariam também na noite. Gordão foi operar a mesa de som e fomos ao hotel Somensi relaxar um pouco e nos arrumar. Se posso recomendar um hotel para você, caro leitor, ficar em Bento Gonçalves, sugiro esse Somensi, ótimo e com um preço bacana. Antes de irmos para o hotel, o Ferrovia nos ofereceu um belo jantar, comemos pacas estrogonofe, porque afinal "é Deus no céu e estrogonofe na terra" rs. Estava muito bom.

Os drinks do Ferrovia estavam deliciosos, duas garçonetes e um garçom headbanger ( conversamos sobre a sua banda, esqueci o nome agora) atendiam a todos com muita simpatia. Uma das garçonetes não sei se era a gerente também, tinha um sotaque engraçado, perguntei, ela me disse que era uma mistura de sotaque gaúcho com alemão. Nessas regiões onde estávamos, a colonização alemã e italiana é muito forte.

Ao lado do merchan do RATMDJ Zonattão vendia camisetas de bandas e também o seu trabalho, um disco chamado "Sampleado e Percussivo". Zonattão deu uma verdadeira aula para nós, sobre tudo! Música, hip hop e outros quetais. Foi muito gratificante conhecer um cara como ele. Ouvi seu cd e curti bastante! Além de ser um mestre da vida, o cara manda bem nos toca-discos!

O show foi bem legal, pra variar a banda entrou disposta a mostrar toda a sua intensidade mesmo já sendo quase 3 horas da manhã. Gabriel mandou o seu já famoso bordão: Nós amamos o sul do Brasil! que pegou e virou até título desse post.

Recolhemos o merchan, guardamos toda a aparelhagem da banda, o "nosso" carro foi um verdadeiro herói, enfrentou milhares de km, aguentou nossa chatice e nunca nos deixou na mão, ufa, ainda bem!

A noite ainda era pequena para nós, e fomos comer um lanche gigantesco chamado X- Bagunça, que dentro dele além dos habituais ovo, milho, hambúrguer, tinha até coração!

Isso era quase 6 horas da matina, e ainda aguentei tomar café da manhã do hotel. Excelente por sinal.

Chegava a hora de descansar e voltar para Novo Hamburgo. Que cidade quente, meu Deus!

Foi bem legal estar nessa cidade justo no dia que iria acontecer o Grenal. Tô achando que é o maior clássico do país. Eu vi que a cidade parou. Fomos um pouco ao shopping, e todo mundo, todos! Estavam com a camisa dos dois times. Fico imaginando em Porto Alegre!

Descobrimos que o apelido de Nova Hamburgo é Nóia! Não entendemos nada quando vimos uma loja infantil chamada "Nóia Kids". Aqui em sp nóia tem outro significado.


Após derretermos no calor, voltarmos ao indefectível Savoy para descansar um pouco, a banda faria o seu terceiro show.

Antes de sairmos do hotel, quase ficamos preso em uma história realmente inusitada. Quem quiser saber, falamos em off ( risos). 

Pegamos o carro no estacionamento do senhor que já estava virando nosso amigo, de tanto que fomos e voltamos de lá. Esse senhor disse que estava de mudança para Bahia, iria largar tudo e alugar um barco e curtir a vida. Tá mais do que certo. Imagine nós aqui em São Paulo que temos problemas bem piores que de NH?! Não é fácil.

Chegamos no Abbey Road, a terceira casa de espetáculo do final de semana. Outro lugar bacanérrimo. Mais uma vez, o produtor Diego Salles fez as honras da casa, e nos presenteou com uma puta lugar legal!

No line-up do dia só tinha banda boa! Destaque para o duo Two Step Flow, fazem um som infernal! 

O público estava insano, era um domingão, mas quem saiu de casa pra assistir rock and roll, não ficou decepcionado e curtiu a valer grandes shows!

RATM com certeza irá voltar para o Rio Grande do Sul. Foi uma turnê maravilhosa! Onde fizemos muito amigos, a banda fez jus ao seu nome, e teve muita resistência pra aguentar essa loucura de tour pelo Brasil.

Valeu a todos! Nunca vou esquecer!

O rock and roll é o meu combustível desde que eu me conheço por gente, e realizar um sonho que para mim parecia inatingível , sair em turnê como uma banda, me fez o cara mais contente do mundo.

Voltamos para a cidade de pedra, e fico com uma imagem que é pura poesia: a ponte Anita Garibaldi em Santa Catarina, um dos lugares mais lindos que eu vi na vida, em forma de caravelas, a ponte fica entre duas lagoas e foi deslumbrante presenciar isso, devia ser seis horas da manhã, todos no carro dormindo, e eu ali, me sentindo abençoado.

Às vezes nos sentimos como os cachorros de beira de estrada, nos postos de gasolina, abandonados, e às vezes nos sentimos rockstars!